Sem amarras, o amor precisa ser livre!

Coluna  desComportamento: 

Ultimamente tenho notado que o conceito de “amar” das pessoas se tornou totalmente exagerado. Não digo pelo sentimento em si, mas as consequências que seus atos cheios de amor vêm refletindo no relacionamento.

Para quem sabe (ou acha que sabe, ou ainda o espera) o que é o amor, sente que ele preenche cada espaço da gente como um líquido quente e acolhedor escorrendo dentro do corpo. E junto vem aquela necessidade desenfreada de ver a pessoa a cada momento. Fazê-la feliz de todas as formas que achamos suficientes. É inevitável a vontade de zelar por quem é tão importante para gente. Dar carinho, cuidar, criar elos e torná-la cada vez mais parte constante da rotina. Sentimos um ciúme horrível por ver outro abraçar daquele jeito apertado, quem costumamos abraçar dessa mesma maneira. Ver que aquele sorriso foi causado por outra pessoa.

O grande problema é que junto com o amor, vem a condição de aprisionamento. Sim, é o amor que sufoca e é o que acontece com a maioria dos casais sem que percebam. Sentem a obrigação de ser o motivo da felicidade do outro, se dedicam como se fossem responsáveis pelos passos alheios, esperando pelo mesmo.


 

O que esquecem é que ambos não são responsáveis por nada disso. Quando alguém entra na tua vida, ela fez isso por livre e espontânea vontade. Te aceitou com teus defeitos e qualidades, quer estar com você porque te escolheu. Assim como ela poderia – e pode – escolher qualquer outro alguém. Acredito muito que duas pessoas não se completam, elas se complementam. Ninguém nasce amarrado em ninguém, relacionamentos não são feitos de contratos.

Eu não consigo suportar a idéia de que tenha que manter um relacionamento estando com um homem que controla o que devo fazer, o que vestir, o que comer, como devo me comportar, que me questiona várias vezes por algo só porque ele não gosta, que não aceita meus gostos e não me deixa ter meus momentos sozinha. Parece o meu pai. Me questiono: então como quis ficar comigo e me ama de verdade, se não me aceita como sou desde que me deixou entrar em sua vida?

Outro exemplo é querer garantir que a pessoa não tenha espaço para se interessar por outra, que só te enxergue no campo de visão dela. A enche de extrema atenção e preenche todos os minutos do dia com sua presença. Insegurança a faz usar tudo que tem (até o amor próprio) para manter quem ama do lado, tornando a coisa toda cheia de pressão. E pior, fazendo-a sentir que tem a obrigação de corresponder do mesmo jeito. Lembre-se: a forma que você dá, nem sempre é a mesma que recebe.

É incrível o casal que se conquista diariamente. Eles querem a mesma pessoa, pois tiveram esse espaço para escolher. Sabem cuidar, dar carinho, se dedicar e dar atenção, mas respeitando a individualidade um do outro também.

É preciso ter parceria, lance de cumplicidade. E não cumprir uma lista de obrigações. É preciso respeitar quando um quiser ficar um dia sozinho, enquanto respeita você quando quer ficar com seus amigos. Demonstre suas vontades, sem impor que elas precisem ser acatadas pelo teu companheiro. A pessoa que preza por você fará isso naturalmente, pois quer te ver feliz. Ciúme é saudável, possessividade é sufocante. Pensem juntos para conseguir lidar com algumas situações. Se coloque no lugar, previna-se de reações desnecessárias e não depois que te chamaram a atenção. Sempre tenha troca de informações, e não imposições.

Avaliando tudo isso, aprendi que já amei muito errado. Amor é bem mais que o sentimento bonito e nobre, não é só ele que faz um relacionamento crescer e amadurecer. Há também o respeito e a confiança pelo parceiro, aquele que me escolheu por justamente aceitar os teus defeitos e necessidades. Aquele que me aceitou da mesma forma.

Todo mundo tem direito de viver um amor livre, é o que faz dele ser incrivelmente mais lindo: a cada novo dia que chega, a mão que segura a sua está ali, porque quem te ama sentiu vontade de segurá-la mais uma vez.

 

 

Débora Barros

Comentários com Facebook

comentários com facebook

3 thoughts on “Sem amarras, o amor precisa ser livre!

  1. Concordo com muito do que tu disse, e discordo um tiquinho de outras coisas mas no geral penso que o desapego também faz parte do “amar”…

    Ótemo texto baixinha abcs…

  2. Gabi, acredite, não sei bem explicar a visão que eu tenho de certas coisas, mas a maioria foi aprendendo com o que fiz de errado rs
    E Paulo, desapego também faz parte, porque se a pessoa que você ama está feliz mesmo não estando com você e chegou o momento em que ela não tem mais sentimentos por você, é necessário respeitar isso. Se fosse meu caso, esperaria que a pessoa que eu ame esteja feliz sempre, não importa como!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *