Transformers 3 O lado Oculto da Lua

Uma franquia que surgiu de uma audaciosa idéia de transformar um desenho de pouco sucesso em uma superprodução mundialmente famosa que arrecada milhões de dólares todas as vezes que entra em circuito de exibição.

Um verdadeiro exemplo dos milagres que as pesquisas de mercado da potencia cinematográfica podem fazer, transformar um tímido desenho japonês em um monstro publicitário que promove uma das maiores marcas mundiais como a Ford por exemplo. Em sua terceira versão o filme aposta no mesmo que os anteriores, efeitos especiais impressionantes em conjunto com um primoroso trabalho de áudio. Esta combinação é tão bem feita que arranca suspiros da platéia cada vez que algum impacto ou explosão acontece. É como se estivesse acontecendo de verdade na frente do publico, e isso é impressionante, mas claro, esta qualidade vem para tirar o foco do publico nas interpretações e na trama que é bem fraca.

 

Como uma espécie de cinema de linha de montagem o filme segue tantos parâmetros montados de narrativa que me permite fazer a comparação aos famosos bolos de saquinho, que apesar de não serem tão saborosos dão conta do recado e são mais simples de serem feitos.  A única resalva fica para a simplicidade, que neste caso
é fraca quando idéia, conceito e mensagem e extremamente complexa quanto a imagem, mise-en-scéne¹ e efeitos especiais.
No filme Sam Witwicky, interpretado por Shia LaBeouf, está de namorada nova, que não deixou nada a desejar para Megan Fox, a atraente atriz Rosie Huntington-Whiteley, que interpreta Carly Spencer. A loira é uma espécie de namorada super apaixonada que banca o garotão perdido no tempo, sem dinheiro e emprego e em plena fase de entrevistas.

Os Autobots continuam em atividade com a unidade militar humana para identificar e neutralizar Deceptcons remanescentes na terra. Em geral os robôs bonzinhos continuam suas atividades enquanto um baita segredo está rondando o ar com segredos sobre a corrida espacial e muita conspiração, característica que da o tom na história e revelam mistérios que envolvem a Lua, Cybertron planeta natal dos robôs e muitos Decepticons. Este escopo proporcionou ao filme uma leve profundidade, já que fica possível ao publico várias identificações com histórias reais e aliviar um pouco a ficção pura.

Em geral as características do filme são as comentadas anteriormente, um bolo de saquinho com um bom sabor, mas algumas coisas poderiam tê-lo diferenciado bastante. Um dos pontos baixos é a bagunça de robôs que participam da história, uma separação de antagonistas mais fortes poderia evitar este bacanal de máquinas, mas outro detalhe é mais triste, a evidente falta de preocupação ou de criatividade dos desenvolvedores dos robôs, que é inexplicável. A produção tem uma oportunidade de explorar uma série de equipamentos e transportes para criar seus tranformers e aposta em poucos carros onde um dos mais interessantes como a Ferrari pouco aparecem. Em um filme com apelo publicitário tão forte as oportunidades são bem amplas.

 

 

Para compensar, o diretor Michael Bay, especialista em cenas de destruição e em chocar o publico apostou forte na crueldade entre os robôs. Quando por exemplo o autobot Ironhide é executado a sangue frio por Sentinel com um bom tiro na cabeça, e ainda fica agonizando por alguns segundos antes de tomar outro e enfim morrer, acabam despertando a atenção do público, pois de qualquer modo os robôs lembram humanos, falam e agem como tais.
Pode parecer algo simples, mas na forma que a dialética dos personagens digitais se desenvolve e é trabalhada, estas cenas ganham um pouco de peso e novamente tirando do publico em uníssono as mais variadas expressões de indiginação, dor e agonia, é claro que não são todas as pessoas que fazem isso, mas quando a grande maioria de uma sala de cinema entra neste nível de identificação com um filme, então existe sua determinada qualidade.

O filme também deu novo folego ao cinema 3D que estava empapuçado nos EUA e começava a entrar nesta onda por aqui.
Com a extrema qualidade tanto visual e de planejamento das imagens o efeito foi muito elogiado e me obriga a voltar a sala de cinema em breve para comprovar o comentário que é geral.

Transformers não erra no que vem para fazer, proporcionar um show visual com uma história parca e que não permite muito aprofundamento. Em pouco tempo sua atenção é roubada pelas impressionantes cenas com os robôs ou as hilárias reações do personagem Sam. Uma agradável opção para você que não quer pensar muito para se divertir.

mise-en-scène¹ – Palavra francesa que significa encenação, diz respeito no ambiente cinematográfico a construção da cena durante as filmagens. Posição dos personagens, objetos e itens que fazem parte da cena.

Alexandre Prados

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