Os Coletores

Ai está um filme que não fez barulho nenhum quando chegou, mas arrancou muitos elogios de quem teve a oportunidade de assistir o DVD, já que por aqui não rodou os circuitos de cinema. Segue uma Paulada que vai arrancar seu coração, ou qualquer outro orgão.

São poucos os filmes que me fazem ficar impressionados quanto ao enredo, força dos ganchos e identificação. No caso de Os Coletores temos uma audaciosa forma de contar uma história com tema mais audacioso ainda e para fechar intrépidamente quase nada de promoção e divulgação. Quanta coragem.

A história é simples, temos um futuro, que é uma mistura de Blade Runner e Eu Robô, onde uma empresa que vende peças cibernéticas para reposição de orgãos, membros e tudo que uma pessoa possa perder do seu corpo possui uma unidade de reabilitação de peças em estado de pendencia, ou seja, eles vão buscar as peças de quem não anda honrando com os compromissos financeiros da empresa.
Entre as equipes temos uma dupla que se conhece desde a infancia, Remy e Jake, interpretados respectivamente pelos talentosos Jude Law e Forest Whitaker. Além de serem os melhores no que fazem, são viciados em seus trabalhos o que gera momentos interessantes no filme, como rejeição das pessoas e outras coisas mais.

O rolo todo acontece quando Remy sofre um acidente, que eu não vou contar mas tem haver com um dos produtos que ele mesmo captava. Depois da coisa toda azedar, dinheiro, familia amigos, por conta deste acidente, ele tem que sumir pois sua própria corporação começa a caça-lo. Mas, é claro, sua larga experiência como coletor e os encontros com seu ex melhor amigo dão cenas incríveis de combate e conflito no filme.

 

Neste processo de fuga Remy se depara com Beth, Alice Braga, uma mulher que já deve até o pescoço, literalmente para esta corporação, que o ajuda a fugir, e a esquecer sua esposa também.

As grandes vantagens do filme se dão na dialética, onde uma sequência sóbria organizada e bem atraente de descobertas e evidencias vão dando o tom, tudo misturado com um bem orquestrado cenário, resgatando o saudosismo de viver no futuro mas muitas coisas serem como no passado. Como os citados Blade Runner e Eu robô, obras inspiradas nos livros de K. Dick e Asimoov, Os Coletores também é baseado em um livro, neste caso o The Repossession Mambo, do escritor Eric Garcia. Ainda não tive a oportunidade de ler, mas se o filme ja é bom imaginem só vocês o livro.

Característica marcante do DVD são as campanhas publicitárias nos extras, divertem pelo teor sério com a qual falam da vida das pessoas e do absurdo de seus trabalhos. Para colocar alguns defeitos no filme, temos em alguns momentos pontos de respiração desnecessários e explicações que não ajudam a entender melhor o filme, mas fazer você desligar-se do enredo. Mas o grande erro mesmo foi não ter aproveitado o material disponibilizado na web e nos extras do filme para fazer uma campanha de promoção no Brasil.

Algo que brinca tanto com um assunto polêmico como medicina, reposição de orgãos e direitos civis com certeza ia agitar o publico, com cartazes fazendo propaganda da empresa na rua por exemplo, propagandas na tv e até mesmo uma central de relacionamento ligando para pessoas de um mailing especial de jornalistas, como se estivessem fazendo uma espécie de ARG e tentando vender os produtos da empresa de reposição de orgãos, The Union. Nos EUA a campanha foi forte, rolou até uma espécie de E-commerce dos produtos http://www.theunioncares.com/. São possibilidades que deveriam ser consideradas. Fora isso é um ótimo filme para quem gosta de uma boa ação com ficção e claro, inteligente.

Alexandre Prados

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4 thoughts on “Os Coletores

  1. Adoro ficção, mas este filme é uma grande bosta… Fiquei muito decepcionado com o enredo e a proposta num todo… Realmente uma grande bosta!

  2. Achei o final do filme muito ruim, não me conformo em assistir o filme inteiro sobre lutas e sofrimentos do ator principal (Jude Law), sendo que ele havia perdido uma luta simples na metade do filme pra seu amigo (Forest Whitaker). Pela sua habilidade e por tudo que passou, merecia realmente um final feliz, não um final artificial e um dano cerebral.

  3. Realmente o final dá aquela brochadinha, mas no geral é um filme razoável, não me deu aquela sensação de “putz perdi uma hora da minha vida…”. Obrigado pelo comentário Esmaylhom

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