Cinema – TRON o embrião

Introduzindo o ciberespaço

Vamos começar por dizer o Tron – uma odisséia Eletrônica foi revolucionário em sua época.
Sim, com certeza foi. Para você que já assistiu ao filme, terá que concordar que alguns efeitos especiais são atraentes até mesmo em época de Transformer´s e Homens aranhas.
Para elucidar um pouco a trama, a história se desenvolve a partir das tentativas do protagonistas Kevin Flynn interpretado pelo ator (Jeff Bridges) de invadir o sistema da empresa ENCOM com o seu programa chamado CLU, e reaver os arquivos que um executivo chamado Ed Dillinger (David Warner) roubou dele e transformou em uma mina de ouro. Na época Flynn era apenas mais um brilhante funcionário da empresa. Mas um sistema de segurança muito durão chamado Master Control, que troca ameaças até mesmo com o executivo safado comentado acima bloqueia o acesso de Flynn, o rastreia e derruba o acesso de todos os funcionários ao sistema, e de quebra fala para Dillinger que pretende invadir o pentágono e dominar o mundo. (UAU)

Nesse rolo ai, um funcionário chamado Alan Bradley (Bruce boxleither), amigo de Flynn estava utilizando seu programa chamado TRON para monitorar o Master Control program, chamado de agora em diante de MCP. Bradley perdeu seu acesso, em resumo rola um estress entre Dillinger e ele.
Então Alan e sua namoradinha a doutora Lora Baines (Cindy Morgan) que inclusive também trabalha na ENCOM e faz parte do projeto com um canhão que digitaliza objetos reais para o ambiente virtual, vão para o árcade do Flynn… Mas espera ai, ele tem um árcade?

Sim meus caros, o protagonista ex-ploretariado sai do ramo de tecnologia da informação para abrir seu próprio fliperama bem charmoso, e onde ele é um verdadeiro campeão do jogo de corrida e destruição Lightcycles.
A coisa se desenrola quando Alan explica para Flynn que ele foi rastreado pelo MCP e ambos têm uma idéia mirabolante de invadir a ENCOM e pegar o que é Flynn por direito e parar o programa sabichão.
Lá vai o trio esperança, entram na empresa e Kevin encontra um computador, que fica na sala onde a doutora trabalhava junto com uma equipe naquele canhão digitalizador. Ele começa a invadir o sistema quando o Master control percebe a invasão e para rechaçá-lo ativa o canhão, e ai uma das cenas de efeitos especiais mais legais começa, é curta, mas muito bem feita. Um lazer duplo é ativado e ao acertar Kevin ele começa a ser setorizado por uma grade em neon azul e ser escaneado e transferido para um ambiente virtual.

Lá, Flynn depois de ser preso por ordem de Sark o testa de ferro do MCP e programa de Dillinger o joga para se degladiar com outros programas em competições de disco, lutas onde um disco que fica preso as costas é arremessado contra o inimigo e causa um efeito SHIFT+DEL apaga sem ir para a lixeira, ou seja, mata. e eles tentam acertar uns aos outros, e também uma competição de Lightcycles.

Lá, Flynn é revelado com um usuário e recebe a ajuda de TRON programa de Alan, e de Yori programa de Lora para derrubar o MCP e resgatar as informações que precisava. Paro por aqui, para não estragar o filme.

Um plot revolucionário… Até demais.

Mas mesmo com esta pegada interessante de tecnologia, espaço virtual e essa loucura toda, este filme para sua época não vingou.
O motivo? Muito provavelmente a junção de filme com os efeitos especiais que em determinadas partes, tomavam conta por completo e então parecia que a pessoa estava assistindo uma introdução de jogos de computador, a um filme com atores reais.
Quando tratamos de cinema, existe um lado da coisa toda que é bem mais burocrático do que parece.  Existem pessoas contratadas exatamente para observar tendências, apontar interesses e encaminhar obras cinematográficas para seus devidos públicos.
Mesmo assim um filme tem que dar ao telespectador alguma coisa com a qual se identificar, sempre!
Um mundo estranho e diferente, normalmente ou já faz parte de uma obra muito famosa e aclamada por um público, ou deve ser muito bem introduzida e conter muitos pontos de identificação, para não desestimular o telespectador.
Este aspecto fica muito claro em um filme como As crônicas de Nárnia, por exemplo, onde todos falam a mesma língua, mesmo fazendo parte de mundos diferentes. Também mantém os mesmos tratos sociais típicos dos ingleses, e todos seguem uma crença monoteísta, onde o seu Deus único e onipotente vem em auxilio de seu povo, qualquer semelhança com certeza não é mera coincidência.

No caso de Tron temos uma trama que na época falava de algo ainda novo, a internet, o espaço virtual, mas este conceito ainda era fraco, difícil de entender para quem não era um nerd cheio de espinhas e babão extremamente interessado no assunto.

O diretor e roteirista Steven Lisberger já estava pensando no espaço virtual, ou ciberespaço termo criado pelo famoso autor do gênero cyberpunk de literatura chamado Willian Gibson que fica a dica é um dos melhores autores que já li, recomendo.
Mas voltando ao Tron, estávamos falando de identificação, e é ai que você entende o fracasso deste filme. Naquela época só um bom filme com um fracasso de bilheteria, devido a esta deficiência no fator identificação e em parte aos efeitos especiais.
Mas, toda esta ladainha para falar de uma obra que andou pipocando pelos cinemas, e para falar a verdade, ainda está pipocando até a presente data.
O legado
Tron o Legado, semi novo filme da Disney que fala dos ocorridos após a tomada de Kevin Flynn a empresa ENCOM e de seu desaparecimento repentino, deixando um jovem remelento para traz com uma promessa de que iria visitar o mundo virtual um dia.

Após 15 anos, o jovem agora é um rapaz com 27 anos chamado Sam Flynn (Garrett Hedlund) que age como uma mistura de playboy entediado e supercapacitado batman.
No inicio do filme se encontra dirigindo perigosamente com sua moto pela cidade, invade a empresa ENCOM, que após o sumiço de seu pai é comandada por outros homens, e detalhe para a invasão, o portão é idêntico ao do primeiro filme, e as falas e métodos de entrada também, um prato cheio para a nostalgia. E claro o melhor, o jovem também é um exímio atleta e pratica skydiving de cima do prédio em uma grua apenas para fugir de um guarda com cara de mexicano para ser preso pela policia pouco depois e claro pagar sua fiança para sair da delegacia com um sentimento de missão cumprida.

Alan, um amigo de Kevin Flynn do primeiro filme, (O cara que criou o programa Tron) se tocou durante a invasão que rendeu a ENCOM um papelão em rede internacional que tudo era obra do jovem revoltado. Para resumir a história do lado humano das coisas Alan recebeu uma bipada pré-histórica em seu Pager, sim ele tem um Pager, e o guarda ao lado da cama todas as noites a pedido de Kevin Flynn. Este chamado pré-cambriano vinha do arcade do Flynn, aquele mesmo do primeiro filme, que foi incrivelmente reconstruído pela equipe de cenário e ficou muito fiel ao original.
Sam depois de relutar um pouco e provar que é um rebelde, decide se entregar ao chamado patriarcal e investigar. Entra no antigo fliperama lá depois de encontrar uma passagem secreta atrás da maquina do jogo TRON, encontra uma galeria de salas e enfim uma que tem um baita computador e atrás dele o canhão do primeiro filme, que ativado inadivertidamente por Sam o leva para o ciberespaço, sem o mesmo charme do primeiro filme, mais ainda assim funcionou para o mesmo propósito.

E então que chega a hora de saber qual foi o grande triunfo desta superprodução em minha humilde opinião.
Lá o jovem rapaz passa por uma produção e ganha um traje com um visual muito legal e logo é jogado para a peleja. Mas neste ponto existe um detalhe interessante, uma das estratégias de enredo usadas pelo diretor e roteirista é de enfatizar um pouco mais a forma como um usuário é tratado dentro do sistema, ele é um ser quase mitológico, faz parte do imaginário dos programas, e isso teve um gosto especial para o desenvolvimento da trama. Uma espécie de ser prometido. E então começam os jogos do disco, onde cada duelista tem que acertar o disco ou em seu adversário, matando-o ou nas partes frágeis da arena, diminuindo seu espaço. Nada de muito incrível ai até aparecer um personagem bastante interessante, Rinzler (Anis Cheurfa), um dos duelistas mais aclamados entre todos e que inclusive é um dos protagonistas do primeiro filme, o próprio Tron, que depois de ser vencido por CLU foi formatado e transformado em seu capanga de elite, uma espécie de Aquiles dos jogos. Imbatível, é durante um arranca rabo com o protagonista que Rinzler/TRON o fere no braço e percebe que este ai não solta bits, mas na verdade sangra, ele é um usuário, e então o leva para ver uma pessoa especial.

Sam é levado para encontrar ninguém menos ninguém mais que CLU, mas o que diabos é CLU? Este é um programa que Kevin Flynn cria lá no primeiro filme para o ajudar a criar o espaço virtual, junto com TRON, só que CLU, era um programa perfeito, e com o tempo não tolerava as imperfeições de seu criador, e é então que a história começa a ser melhor explicada.

Em uma cronologia rápida, depois do primeiro filme, e mostrando a visão virtual da coisa, Kevin toma os direitos de sua criação e se torna o poderoso chefão da empresa ENCOM, ai então começa a fazer incursões para o ciberespaço regularmente, para junto com o seu programa CLU e o TRON, programa de seu amigo Alan, criar um mundo no ambiente virtual, mas eles descobrem uma forma de inteligência independente que não foi criada pelo homem, os ISOS, e junto com eles e os programas povoaram este novo mundo, mas CLU era perfeito, e não tolerava os ISOS pois os considerava intrusos, então arquitetou um plano e tentou matar Flynn, TRON e todos os ISOS. Foi nessa que TRON morreu, Flynn fugiu e CLU detonou com tudo, e criou o mundo virtual ao seu modo. Sempre pregando contra os usuários e tentando reconverter os programas. E é ai que entra o segundo filme.

Só para não perder o fio da meada, o resto do filme se resume em uma tentativa frenética de Sam de sair do ciberespaço e de CLU de pegar o disco de Kevin que encontra seu filho.
Munido desta breve explicação, é muito mais simples comentar cenas do filme, que dão um gosto especial para a obra. Como por exemplo,  a cena em que Sam ajudado por Quorra (Olivia Wilde) uma ISO que se aliou a Kevin em seu exílio no mundo virtual vão ao encontro de Castor, um outro ISO que se envolve com o submundo dos programas.
Castor ajuda em partes Sam, mas logo se prova um traidor, pois avisou CLU sobre a posição do usuário, e então uma das melhores sequências de combate do filme começa, envolvendo os capangas de CLU, programas rebeldes, Rinzler Quorra e Sam.

Tudo está um verdadeiro quebra pau até a chegada de Kevyn, que é visto como uma espécie de divindade, e mostra porque é tão temido, um usuário tem o poder de moldar a realidade virtual da forma que bem entender, e antes que você diga que isso é uma cópia mal feita de Matrix, não se esqueça que TRON é mais antigo, e que ambas as obras beberam da mesma fonte.  Pois então, Flynn chega e as luzes apagam, os programas capangas ficam mais fracos e os programas da resistência sentem suas forças renovadas para lutar, esta cena é interessante por vários fatores, um deles é a presença da banda Daft Punk embalando com seu som eletrônico o “pega pá capá” as lutas com os discos muito bem feitas, e a aparição do usuário como dito antes, muito bom.

Os efeitos especiais do filme são de ponta e uma das coisas mais ousadas neste longa foi o total rejuvenescimento digital que o ator Jeff Bridges passa para emprestar seu rosto de jovem rapaz ao personagem CLU, milhares de imagens, texturas e captações de movimento foram arrecadadas para dar algumas horas de juventude para o ator. A técnica aos olhos treinados é obvia, mas consegue enganar muito bem, ouvi até suspiros de um grupo de garotas nas cadeiras acima da minha quando o personagem é revelado, mal sabem as pobrezinhas que se trata de um efeito especial.
Outro destaque do filme e o que ajudou bastante em sua divulgação foi a grande parte da trilha sonora feita pelo já comentado grupo francês de música eletrônica Daft Punk, que cai como uma luva para a proposta do filme, seu som combina com a temática, mas pessoalmente senti falta de hits mais badalados da banda e mais enérgicos, mas de fato ver em cena a banda vestida com seus famosos trajes de robô, atendendo aos pedidos de Castor como DJs de sua festa é realmente muito, mas muito legal.

O legitimo legado.

Apesar desta “rasgação de seda” de minha parte, tenho que concordar que o filme foi literalmente um legado do anterior. Esta produção apesar de estar bastante tempo nas salas de cinema por ai não alcançou o sucesso que precisava, e foi inclusive escorraçada por alguns críticos de mal humor. Mas tenho que dar meu braço a torcer, a proposta do filme foi pouco ousada, apesar de contar com efeitos especiais de cair o queixo, seu enredo é muito pouco trabalhado, beirando ao default, por vezes você sente falta de algo mais frenético e enérgico, e o fato de Sam acabar aceitando tudo tão rápido, e simultaneamente ficar se indagando o tempo todo ajudam em um leve desgaste. Mas mesmo assim um grande legado para quem já gostava da obra.
Neste caso o pecado nem foi a proposta, mas sim, em minha opinião uma preocupação exacerbada com o enredo que o fez muito café com leite, em épocas de energético com ácido.

No final de toda a trama Rinzler ou TRON se vê colocado na parede entre servir CLU ou o usuário, provavelmente ficou com algumas dll´s da antiga configuração. O vilão CLU, Rinzler, Flynn Quorra e Sam estão em uma corrida para chegar a saída do mundo virtual, onde os mocinhos pretendem sair do sistema antes que este portal seja fechado., e os vilões de recuperar o disco de Flynn que eles perderam.  E é então que o Tron renegado desperta para seu verdadeiro propósito, e ataca CLU, dando tempo para Sam, Quorra e Flynn fugirem, mas o programa perfeito é literalmente o que é. Continua vivo, ou funcionando neste caso, e ataca o grupo novamente, a poucos passos da sua liberdade, para salvar seu filho Flynn ativa sua reintegração com o software CLU e os dois se destroem.
Alam volta com Quorra para o mundo real, e assume os negócios da ENCOM o que deixa uma possível chamada para uma sequencia.

Este filme mais do que um bom apanhado de bons motivos para jogar no cinema um filme 3D e efeitos especiais de ponta para serem convertidos em dinheiro, é também a continuação de um novo universo. O ciberespaço de Tron e sua trama tem muitas coisas que ainda podem ser trabalhadas, dando lugar a jogos, quadrinhos, animações, curtas.
Fico seguro em dizer que trata-se, claro, se usado com sabedoria, de uma história em estado embrionário em comparação com obras como Star Wars ou Senhor dos anéis por exemplo.
Potencial a história tem, se vai ser trabalhada da forma correta pela Disney ou não é uma dúvida que só poderemos sanar quando alguém desenterrar esta história outra vez.

Alexandre Prado

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