Cinema – Rio e seus desencontros

Rio é a mais nova animação dos estúdios Blue Sky,  onde o diretor Carlos Saldanha encabeça direção e divide o roteiro com Don Rhymer dono de um currículo marginal.

A história é muito simples e segue bastante o padrão das animações mais adultas do que infantis atuais, qualidade de imagem impressionante e um 3D bem aproveitado, a produção não deixou a desejar no visual, mas em outros requisitos.

O enredo todo se desenrola envolta de Blu dublado por Gustavo pereira e sua viagem de Minnesota até o Rio de Janeiro para encontrar a ultima fêmea de sua espécie, a arara azul Jade, dublada por Adriana Torres. Então são capturados por traficantes e é ai que começa a grande confusão que fundamenta o filme, não é lá um enredo muito original, bichinhos x gente, mas funciona muito bem neste filme, onde a fauna carioca praticamente composta de pássaros e saguis de acordo com o diretor vivem em plena harmonia no que sobrou de mata atlântica da cidade maravilhosa.
Até flamingos entram na história, sendo que em pouquíssima quantidade habitam regiões nada próximas do Rio, mas tudo bem, além do mais, é só um desenho não? De qualquer forma a trama se desenrola sem muita abertura para erros ou indagações, até ai a formula segue sem maiores problemas, traficantes, pássaros, macaquinhos, favela , samba e futebol
se harmonizam de tal maneira que parecem ser as únicas coisas existentes na cidade,
mas vamos nos ater ao detalhe de que é só um desenho certo?

 

Com um humor mais ameno do que as outras produções do gênero, o longa animado enfatiza mais o relacionamento entre os protagonistas Blu e Jade e sua epopéia para quebrar a corrente que os prende, geradora da maior parte da confusão, do que a comédia em si.

Em geral tanto ele quanto os outros personagens foram bem trabalhados não deixando a desejar, e não posso deixar de comentar a saudosa trilha sonora do filme, que sob a direção do compositor Sérgio mendez,  conta com Carlinhos Brown, Will.i.am do grupo Black Eyed Peas e muitos outros em sua composição. O trabalho destes homens nos presenteou com uma mistura muito agradável de samba e pop music norte americana harmoniosamente colocadas em um filme feito para mostrar o Brasil para o público estrangeiro, o que justifica esta mescla.

Mas algumas coisas ainda vão deixar esta produção como mais uma visão “gringada” e forçada do nosso país, onde movidos pelo mais avassalador instinto de sátira a equipe liderada pelo nosso conterrâneo peca nas manjadas piadinhas forçadas e pejorativas contra o nosso país.

Cancelar a estréia? Mas a que custo?

Muito empolgado com o filme fui ao cinema ver o que seria o Brasil mostrado para todo o mundo, não esperava de forma alguma ver um retrato da realidade carioca, que recentemente sofreu uma baixa chocando todo o país. Um crime sem precedentes em Realengo bairro do estado de RJ. Apesar da comoção nacional, vamos nos ater a repercussão que esta tragédia causou ao nosso tema de hoje. O filme tinha data de lançamento para o dia 08 sexta feira, e o ocorrido se deu no dia 07, quinta feira. Não sendo necessário mais nenhum esclarecimento, fica a dúvida do que fazer em um caso como este.
Cancelar a estréia? Mas a que custo? Até onde este caso vai repercutir? Sem muito que fazer basta engolir a péssima situação criada com a estréia em tão infeliz data e fazer um singelo voto de silêncio.

Garoto tinhoso do morro

Diferente deste problema  que não pode ser atrelado a ninguém, outras situações comprometem a produção, e comecemos pela triste decepção quando nos deparamos com a batida sátira sobre macacos ladrões nas ruas.
Eu graças a Deus nunca fui assaltado, muito menos por um macaco e sinceramente esperava mais de um filme com temática nacional dirigido por um brasileiro.
Mas não paramos por aqui! Uma das coisas que em menor grau também não soa muito bem é a corrida para encontrar o cativeiro onde estavam as aves, um pobre garoto das favelas cariocas se junta a dona de blu, Linda e ao especialista em aves Tulio, dublado por Rodrigo Santoro para encontrar as Araras.

Mas durante o percurso o transito começa a parar pois as ruas estão sendo fechadas para os desfiles, então o garoto tinhoso do morro troca o Jipe do ornitólogo por uma moto, por enquanto sem problemas, mas então os três saem montados na motocicleta rasgando a favela atrás das aves, ambos sem capacete e com uma criança dirigindo. Talvez esteja sendo muito crítico neste sentido, até porque se trata apenas de um desenho, e cá entre nós uma visão como esta não é nada estranha por aqui.
Mas com tantas coisas para evidenciar que poderiam gerar muito mais humor, fazer piada com uma das maiores causas de morte no pais, deixa muito, muito claro a quantidade de tempo que Carlos Saldanha passou fora de seu pais natal e o quanto se distanciou de sua realidade.
Não que isso seja um problema, mas tão leigo assim deveria ter tido um pouco mais de atenção e atualização, pois em grande maioria são crianças que irão assistir Rio.
Apesar destas decepções me diverti com a animação, mas para uma produção feita no intuito de promover nosso pais e em especial a cidade do Rio de Janeiro, o filme ficou mais para um catalogo visual, do que uma verdadeira promoção turística.

 

Alexandre Prados

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One thought on “Cinema – Rio e seus desencontros

  1. Eu ainda não assisti o filme, mas acho q deve ser muito bom, ouvi muitos elogios.
    Mas realmente tem coisas forçadas e ainda incentiva as crianças andarem sem capacete… ja q muitas crianças usam a tv como um símbolo… mas espero q os pais conscientizem q naum podem fazer isso..
    E a tragédia do rio na mesma semana foi uma lastima.. mas espero q naum afete tanto a imagem do nosso país…

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