Cinema – Enrolados para sempre.
03 Fev. 2011

Cinema – Enrolados para sempre.


Recentemente fui assistir o mais novo conto de princesas da Disney, Enrolados, que conta a história da princesa Rapunzel, sequestrada durante sua infância pela bruxa, hum, é, digo mamãe Gothel que só tem olhos para seu precioso cabelo que absorveu os poderes de uma planta muito rara, vinda do sol, e que só mostrava seus poderes de cura e rejuvenescimento quando uma antiga canção fosse entoada. Esta mesma planta era guardada em segredo pela tiazona Gothel a cara da Cher porque sempre cantava para a flor, e conseguia sua juventude devolta. Mas um dia quando a garota cabeluda nasceu, sua mão passou por maus bocados durante o parto, então o Rei colocou a tropa toda para encontrar a flor. A horda de soldados a encontrou e a levaram para salvar a rainha e a princesa. Durante o processo a criança nasceu saudável e a mãe manteve seu corpanzil de dar inveja as mocinhas mais animadas da dreamworks.

Mas a Cher, digo, Gothel queria a flor, e percebeu que o poder fora transferido para a garotinha. Mais especificamente para seus cabelos. Então a sequestra, ao melhor estilo filme de terror vanguardista, e a coisa começa. Sim, começa mesmo, porque muita coisa ainda acontece até que eles possam viver felizes para sempre.

Muito além do feliz para sempre
O longa conta com os diretores e roteirista: Nathan Greno, Byron Howard, Dan Fogelman respectivamente. Estes que fizeram parte de várias etapas da criação e produção de sucessos como Irmão Urso, Mulan, Bolt, Carros e muitos outros. E sabe o que eles e a Disney sabem fazer de melhor?

Se você respondeu fazer outras pessoas chorarem como criancinhas você acertou!

Como sempre a produtora conseguiu arrancar suspiros da plateia, que soluçava a cada dilema pessoal enfrentado pela pobre princesa. Ou a cada vez que encaravam os olhos morosos daquele rei com carona de papai chorão.

Nada comparado ao clássico O Rei Leão, que chega a causar desde depressão até revolta no publico mais suscetivel. Mas ainda assim, a boa e velha formula emocional está presente e segue a receita com precisão incrível.

Cinema Multipúblico

Mesmo com os momentos de identificação diante das dificuldades  da pobre Rapunzel, o filme conta com uma dose agradável de comédia, como os famosos desenhos multipúblico de hoje em dia, com piadas para baixinhos e altinhos.

Os mais velhos não se encomodam com as piadas dos novinhos, e eles por sua vez não entendem as dos mais velhos, uma troca justa!
Outra característica que merece destaque é o trabalho de animação, com qualidade magnífica. O cabelo da protagonista é realmente um desafio que representa o cuidado e a atenção que foi dedicado a sua produção. Com um enredo simples a trama não da espaço para muitas trapalhadas, talvez as únicas situação que deixam alguma coisa a desejar sejam a dos momentos finais do filme.

 

Expoiler, de leve…

A pobre Rapunzel ao voltar para a torre com sua mãe postiça Gothel acaba tendo uma epifania, e se toca que todos os desenhos que ela fazia, eram baseados em lembranças da sua infância, de seu mobile. Então ela acorda e lembra do rosto do pai e da mãe e descobre tudo tão rápido que chega a parecer que o tempo está acabando e a musiquinha do mário vai ficar acelerada se ela não chegar no final da tela, e rápido.

Não podemos considerar isso como um erro, e sim um uso precipitado e pouco trabalhado de uma técnica cinematográfica chamada antecipação, que como o nome já diz consiste em antecipar de forma intuitiva e sutil determinada palavra, objeto, cena ou lembrança que durante o clímax vai dar unidade ao todo.

No longa Enrolados, uma flor é este gatilho. Ela representa uma vaga lembrança da silhueta do sol que é símbolo do reino, e também parte do seu mobile de quando era um bebê. Durante a trama, só é revelada em seus desenhos, pelas paredes da torre de forma passiva (nenhuma vez comentada ou evidenciada).

Uma sugestão seria colocar menções sutis durante o começo do filme sobre ela sempre lembrar das imagens das flores que voam, ou das flores penduradas por linhas finas e quase invisíveis com nuvens sorridentes ao fundo. E então no Clímax as linhas invisíveis revelam-se os cordões, as flores são na verdade o Sol do mobile e seus pais são as nuvens sorridentes.

Existem filmes inteiros que se baseiam nesta técnica, como O sexto sentido por exemplo. Desta forma o destaque ao momento de despertar da aspirante a princesa seria muito mais claro para os baixinhos e menos seco.

Como diria Tchecov: Se um fuzil aparecer no primeiro ato, antes da cortina se fechar, alguém o disparará.

Enrolando a dublagem

 

Assistir desenhos legendados em geral não faz parte do costume infantil brasileiro. E normalmente não muda depois que os infantes crescem. São poucos os locais que exibem desenhos legendados aqui em São Paulo, fora daqui então…

No caso de Enrolados não poderia ser diferente, e para a dublagem vamos dar um destaque especial a rapunzel e ao  Flynn Ryder. Dublados respectivamente por Sylvia Salustti e Luciano huck, e é aqui que a coisa quase, repito, quase complica.

A critica caiu matando sobre o nosso amigo nasal fazer esta dublagem.

Lí coisas como ouvir sua vóz no personagem me faz lembrar dele e coisas do género. Pessoalmente acho ridículo um depoimento como este, até porque qualquer pessoa famosa que dublar algum personagem com sua voz pode ser facilmente reconhecido. No entanto baseado em que assisti, a dublagem realmente deixou a desejar. Não por causa do queridinho do Brasil Luciano Huck e sim por culpa do próprio estúdio.

Em vez de prestar tanta atenção na vós do personagem Flynn, alguns critícos deixaram de perceber que a dublagem foi fraca por outros motivos. Um caso foi a sensação de profundidade perdida. Durante a cena em que Flynn Rider junto com os dois capangas armários saem pela ponte da cidade fugindo, o personagem se distancia enquanto fala, e uma péssima sensação de que a voz não acompanha o distanciar do personagem fica evidente.

“Uma estratégia de marketing poderosa que leva em consideração aspectos regionais e também uma inteligente jogada de identificação com o público brasileiro.”

É como se a voz não fizesse parte do filme em vários momentos, comprometendo sua qualidade. Ponto negativo para o estudio e para a Disney que deveria ter pegado pesado com os seus critérios. Ainda assim, a Disney no Brasil teve a brilhante idéia de modificar o nome estranho do personagem Flynn Rider, que no original é Eugene Fitzherbert, colocado desta forma para causar risos na platéia norte americana, em uma brincadeira com o personagem tão pré-potente ter um nome tão comum. A versão brasileira para o nome comum é José Bezerra, achou estranho? Bizarro? Achou que foi uma péssima idéia? Claro, e é por isso que todo o publico riu e se divertiu quando o personagem revela seu curioso nome. Uma estratégia de marketing poderosa que leva em consideração aspectos regionais e também uma inteligente jogada de identificação com o público brasileiro. Experimente falar sobre o nome José Bezerra com qualquer pessoa que tenha assistido o filme e com certeza irá ver um sorriso seguido de risadas.

Só posso congratular a Disney pela sua ótima escolha.

Grimm LTDA.

Um fato curioso para alguns desinformados, é de que a grande maioria dos sucessos da Disney são compilações de fábulas regionais de vários países da Europa feitos pelos irmãos  Jacob e Wilhelm Grimm a muitos anos atrás. Algumas delas tem temáticas e histórias bem menos infantis do que as versões da Disney. Criticar as modificações que a Disney fez na história não faz sentido algum, pois as próprias histórias dos irmãos Grimm também sofreram alterações para entrar no livro de fábulas, alguma coisa como a censura é hoje.

Um bom filme para toda a famila enrolado ou não, este é o mais novo conto de princesas da Disney.

E todos viveram enrolados para sempre…

FIM.

Autor


4 Comentários

  1. Camila says:

    Hahaha adorei a Gothel ser parecida com a Cher…gostei muito do filme tbm, só que como sempre eu teria preferido ver legendado, é tão mais natural. Né?
    Em falar nos meus queridos irmãos Grimmm, eu comprei um livro com todos os contos de fadas , na medida do possivel claro com suas versões originais…. XD Adorei o post

    xoxo

  2. Francisco says:

    Eu não assisti, mas imagino que seja legal mesmo… estava vendo os dubladores originais, e um deles é Zachary Levi, o Chuck do seriado homônimo… cool
    enfim, só queria dividir a informação…rs

  3. Haaa Camila, que sacrilégio! Assistir desenho legendado! fuahfeuahef Esse livro parece ser muito bom. As lendas originais são muito macabras e algumas muito brizantes… Fiz um estudo profundo e tals, mas se escrevesse mais ninguem iria aguentar ler… Qualquer dia falo melhor destes contos de fadas. Eu tinha reparado chiquinho, vi trechos do filme legendado e as vozes ficam realmente muito boas, pena que o estudio de dublagem do Enrolados deu este gafe… Mas tudo passa! faiuefuah

  4. Anônimo says:

    eu amei enrolados ainda não tive tempo de assistir enrolados para sempre mais daqui para o mês que vem eu consigo.

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